segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dia de Trabalho - Parte Um

Era tudo como um lindo cactus... Macia e lassiva, percorria toda a extensão do que era pele, do que era merda e sangue, mas realmente, era eu, em um ponto completo, me sentindo realizado, sendo eu, um pouco mais triste, um pouco mais real...
Mas tarde, vieram as moscas, que de um tom quase azul deu a sua pela, outrora branca e lisa, agora se desvaneciam em uma completa decomposição de cores e tons, que variavam e mentiam sobre uma verdade sombria, eu pintara o meu rosto de branco, de um branco bem pálido a não perceber que assim estava...Era um personagem?
Não... Ainda era eu...Mas não podia realmente dizer que aquilo tudo, os cortes, os dentes no chão, a pia com restos de cocaína, o olhar morto na qual a mosca pousava, não! Isso não era eu, mas eu mesmo tempo me afirmava...Não era o que havia de macabro, mas residia na precisão cirurgica dos cortes, nas cores de terra que já findavam as suas unhas e de toda a dor e carne que tirou delas quando tentou tirar-me de cima de seu corpo, magro e corado.
As moscas vieram e depois o cheiro, que sempre é maior que a presença da própria morte. Esperava que saisse a alma e desentocasse um outro que poderia me perdoar, me fazer de novo sentir algo que eu não sei... Mas assim ficou, e assim soou como um vento frio. Limpo a minha presença. A encharco com um balde d'água e ainda considero ela mais do que outra coisa: Mas não mais importante que uma galinha ou um verme...

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